quarta-feira, 16 de julho de 2008

Dedin de Prosa

Óia, Dona Lua,

Faz um tempão que óio ocê aí em riba, briando pra nóis. Eu aqui sentado nessa porteira pensano um monte de bobagenzinha. O Home das Barbas foi caprichoso por demais quando rabiscou ocê. Meu vô dizia que foi no tempo que Ele acendeu a primeira lamparina, depois de ficar avoando por riba d´agua. Fico cá pensando com meus botões como é que um negócio tão formoso que nem ocê consegue ficar aí e num cai.

Além da fome arretada que essa tua cara de queijin mineiro dá na gente. O pessoar diz que é suíço, mas não sei donde isso vem, queijo pra mim é tudo mineiro, uai. As lumbriga ficam se saracotiando toda.

Eu não leio a tar de Bíbla faz tempo, as tais letra miúdinhas me confude a moleira por demais. É uns tais de capítulo pra cá e uns versinhos pra lá. Os padre conta uns negocin estranho dum camelinho que passa em buraco de agulha que freve a caramiola do povo que vai pras missas. Que se a gente tiver a fé do tamanho de um grãozinho de mostarda, nóis é capaz de fazer milagre. Eita lasqueira.

O padre conta que o Home das Barbas enviou o Fio dele pra nos defender do Tinhoso. Que Ele nasceu duma moça que nunca... Deixa pra lá, ocê sabe que o Zé era respeitador das filhas alheia.
Ele andava por riba d'agua sem molhar a sola das alpargatas e debaixo do maior toró. E dizem que eu sou nadador. Afe Maria.

Pior foi a peia que ele levou no final da história. Levaram ele pro xadrez, uma tal de Fortaleza da Antonia. Povo esquisito, aqui isso seria um cabaré, mas lá era delegacia. E o delegado, um tal de Pilatos, era chei das higiene, só vivia lavando as mãos. O torresminho daquele tempo devia ser da moléstia.

Foi sola muita. Os soldado, uns tar de Romano, batiam sem dó no galileuzinho. Rasgaram as ropas do pobre e ainda meteram uma coroa cheinha de espin na moleira dele. Sobe uns arrepios só de pensar na dor.

Ainda fizeram Ele carregar uma torona de madeira no lombo até um morro amarrotado de caveira. Lá enfiaram um prego em cada mão e deixaram o rapaz morrer à mingua.

É, Dona Lua, se eu fosse bom das contas saberia contar direitinho essas historinhas procê. Veinha do jeito que tá, com esse tal de Jorge matando esse jumentinho de correr atrás de calango com vara de pescar, já deve de ter perdido é o juízo.

Ainda em construção, ora. O rapaz que bate esse texto tem pouco tempo.