
Dama em vidro
De beijos maculadores
Pra que falar
Dessa eterna busca
Pra que entender
Esse encontro de plebeu e rainha
Um beijo infiel
Esse suor que desce
Com o teu cheiro simples
Paixão ardente
De quem joga o carteado
Sem medo de perder
As ilusões profanas
Essa garganta rasgada
Por teus goles
Eu digo alô
Falo para que entendas
Essa turva sensação
Frisson perfeito
Nos veremos por aí
Alquimia da feiúra em beleza
Não somos sapos ou príncipes
Poetas prateados
No meio da rua
Sob teu doce balanço
Cantando pra Lua
Tua rival em noites invernais
Quando a memória
Amarga amores passados
Desorientando os passos
A mão agarra o poste
Paralelepípedos se aproximam
Se afastam
Melhor voltar pra mesa
Vidro sem dama
Aos cacos, todos nós!