Moacir Brandão
Um senhor de cabelos prateados
está sentado
numa daquelas canoas velhas
da praia do Preá
Imagina as gaivotas que nunca voaram
nessa praia
Nem albatrozes
Uma garrafa de vinho na mão
um vinho bom e barato
Os olhos miúdos
Miram firme para o horizonte
Ele anda com os passos já cansados
Enfrentando as ondas do velho amigo
Ele pára, mais um gole
Água até os joelhos
Assim eles conversaram uma vida inteira
Parece olhar para o passado
e perguntar:
"Valeu à pena?"
O velho amigo, em seu murmúrio marítimo, diz:
"Só tu tens essa resposta, pescador"
O senhor de cabelos prateados
derrama o vinho sobre a sobrancelhas ainda negras:
"ABBA,
Foi uma divertida loucura!!"
...
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
domingo, 17 de junho de 2007
A última pequena rosa do Éden
Pequena rosaAcostumada ao vermelho
Pequena rosa anda por Bagdá
Perdendo suas pétalas
No que já foi o Paraíso
Em busca, talvez, de algum sonho
Jogado em escombros
Pequena rosa
Os Senhores da Guerra nem te olham
Destroem sonhos que nunca nasceram
Transformados em tons de cinza
Pequena rosa
Que nem pode mostrar os espinhos
Terá tempo para o doce orvalho?
Que será de seu perfume?
Perdido num falso jardim
Quem plantou dá um nome
Democracia
Aprendes como fel
Um espinho em tua língua
Que nem a água do Eufrates adoça
Nem o tempo cicatriza
Pequena rosa e última,
Que nome darás para esse jardim?
(writed in 03-12-2007)

sexta-feira, 8 de junho de 2007
A estética do mundo

Olhe-se no espelho
Preocupações com o cabelo
a melhor calça
As cores estão combinando?
Não sei dançar
Festas
O som alto do carro
Daqueles que dizem
"Odeio política"
Violência, trabalho escravo, fome, pobreza
Para muitos
"Um saco"
Mas fazem o sinal de paz numa festa rave
O mundo é um parque
Não é
Não é
Não é
A estética do mundo
Não passa de uma piada grotesca
Nosso Teatro de Vampiros
Palco da miséria
Sem graça
O Poeta Prateado está de luto
Preocupações com o cabelo
a melhor calça
As cores estão combinando?
Não sei dançar
Festas
O som alto do carro
Daqueles que dizem
"Odeio política"
Violência, trabalho escravo, fome, pobreza
Para muitos
"Um saco"
Mas fazem o sinal de paz numa festa rave
O mundo é um parque
Não é
Não é
Não é
A estética do mundo
Não passa de uma piada grotesca
Nosso Teatro de Vampiros
Palco da miséria
Sem graça
O Poeta Prateado está de luto
terça-feira, 1 de maio de 2007
Adões e Evas
Moacir Brandão
Quem eu sou
ou que somos
Que importa?
Se no Gênesis
Ele continua a perguntar
"Onde estás?"
Adões e Evas
Demasiados somos
Pelo favor que nos fizeram
Os amáveis pecadores
Um mar de variações
sobre o mesmo tema
A própria água
de nosso afogamento
Um céu
de vertigens resplandecentes
Na cegueira
de nosso humor incandescente
Uma mata
de ruídos urbanos
Um cidade
de loucuras saltitantes
Palhaços
de uma piada mortal
Morcegos
da caverna de Platão
Tudo isso podemos ser
Sem sermos nada
Porque é o que somos
Enquanto o trem pras estrelas...
Não chega...
Pois já perdemos nossa arca
Quem eu sou
ou que somos
Que importa?
Se no Gênesis
Ele continua a perguntar
"Onde estás?"
Adões e Evas
Demasiados somos
Pelo favor que nos fizeram
Os amáveis pecadores
Um mar de variações
sobre o mesmo tema
A própria água
de nosso afogamento
Um céu
de vertigens resplandecentes
Na cegueira
de nosso humor incandescente
Uma mata
de ruídos urbanos
Um cidade
de loucuras saltitantes
Palhaços
de uma piada mortal
Morcegos
da caverna de Platão
Tudo isso podemos ser
Sem sermos nada
Porque é o que somos
Enquanto o trem pras estrelas...
Não chega...
Pois já perdemos nossa arca
terça-feira, 10 de abril de 2007
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Tarde transeunte
quarta-feira, 28 de março de 2007
Sombra de cajueiro
Um céu de loucura
Sertanejo levanta o braço
Magro
A foice corta o galho
O suor escorre pela face
Salgado
A camisa xadrez encharcada
Cobra aparece
Cansaço, calor
Susto
Um passo atrás
Um toco
A queda
A foice escapa
Desce...
A cabeça na cabaça
Urubu voa
Sombra de cajueiro
Sertanejo levanta o braço
Magro
A foice corta o galho
O suor escorre pela face
Salgado
A camisa xadrez encharcada
Cobra aparece
Cansaço, calor
Susto
Um passo atrás
Um toco
A queda
A foice escapa
Desce...
A cabeça na cabaça
Urubu voa
Sombra de cajueiro
O prateado
Foi nas águas de março
De um março prateado
O poeta nasceu
A Lua apareceu tímida
Assustada
Viu o andarilho trazer a tempestade
Mudá-la em lágrimas que apagariam
O Sol
De um março prateado
O poeta nasceu
A Lua apareceu tímida
Assustada
Viu o andarilho trazer a tempestade
Mudá-la em lágrimas que apagariam
O Sol
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Dama Leviana

Dama em vidro
De beijos maculadores
Pra que falar
Dessa eterna busca
Pra que entender
Esse encontro de plebeu e rainha
Um beijo infiel
Esse suor que desce
Com o teu cheiro simples
Paixão ardente
De quem joga o carteado
Sem medo de perder
As ilusões profanas
Essa garganta rasgada
Por teus goles
Eu digo alô
Falo para que entendas
Essa turva sensação
Frisson perfeito
Nos veremos por aí
Alquimia da feiúra em beleza
Não somos sapos ou príncipes
Poetas prateados
No meio da rua
Sob teu doce balanço
Cantando pra Lua
Tua rival em noites invernais
Quando a memória
Amarga amores passados
Desorientando os passos
A mão agarra o poste
Paralelepípedos se aproximam
Se afastam
Melhor voltar pra mesa
Vidro sem dama
Aos cacos, todos nós!
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
O mundo azul
O mundo azul
está morrendo
O mundo azul
destruído pelos seus filhos
O mundo azul
está ficando cinza
O mundo azul
sem nuvens brancas
Um mundo azul
uma lembrança
está morrendo
O mundo azul
destruído pelos seus filhos
O mundo azul
está ficando cinza
O mundo azul
sem nuvens brancas
Um mundo azul
uma lembrança
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